Vem do Grego Antigo


Ao longo dos anos comecei a apreciar com curiosidade os vários tipos de reacções que vêm assim que lanço o desafio de saberem lidar com o nome com que me apresento.

À distância, quase consigo adivinhar o tipo de pessoa que se aproxima. Balolas. Parece que se abre um portal diretamente até ao coração das pessoas com quem me vou cruzando.

É engraçado, não é? Como uma coisa tão simples como a reação a um nome pode dar tanta informação sobre a índole do carácter de uma pessoa.

Os meus amigos, fartos desta epopeia, já suspiram. Eu já não guardo mágoas. A culpa não é do nome, é do meu atrevimento em querer manter-me fiel à pessoa de dois anos de idade que se agarrava aos tubos de Pintarolas com a alegria de quem agarra a sua própria vida.

Nunca foi minha intenção criar um mito à volta do nome, as pessoas e a forma maliciosa como tendem a lidar com o que não se encaixa no que conhecem é que fez disto uma cena.

Tenho muito carinho pelo nome que os meus pais me deram, mas há que perceber que quando me deram um nome ninguém me conhecia. Ninguém sabia quais eram as minhas paixões, como soava a minha gargalhada ou o que me deixaria de estômago apertado.

Antigamente, quando as palavras eram sagradas, os nomes eram dados com cuidado. O nome anunciava o ser singular que ali se manifestava. Eram proféticos. No entanto, os meus pais quando escolheram como haveriam de me chamar, não procuraram significados nem leram mitos associados. Seguiram o gosto do quão bem lhes soava e dali veio um nome que a meu ver até é bem bonito, mas que quer gostem, quer não gostem, não tem nada que ver comigo.

As minhas primeiras memórias vêm dos meus dois anos e meio, três anos. Ainda a Xaninha não tinha nascido. As memórias coincidem com o aparecimento do nome Balolas. Foram aquelas cores todas e aquelas bochechas com caracóis que dava beijinhos e abraços como quem respira que lhe deram o significado que até hoje o nome evoca.

Ser a Balolas é ser vulnerabilidade desde o momento em que me apresento ainda que tenha um enorme orgulho na decisão que fiz para aí aos 12 anos, numa tarde de TPCs, quando os meus colegas ouviram pela primeira vez a minha mãe chamar-me assim.

“Sou a Balolas” 
E às vezes ainda coro, é só o raio de um nome. Mas com o tempo também aprendi a responder tanto quanto o tom da pergunta o pede. Como é que as pessoas se levam sempre tão a sério?

“Não te podes chamar assim. Que horror”
“Vem do grego antigo”
“O que é que significa?”
“Ba significa “eu chamo-me” Lolas vem do “como eu bem quiser”.

Foto: Miguel Oliveira

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Categorias:Pessoal, Sem ferida

Balolas Carvalho

Tenho uma imensa sorte em me cruzar com pessoas extraordinárias em momentos extraordinários e só quero poder partilhar essa sorte com o mundo.

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