Um 2016 confuso

Photo: Diana Tinoco

Isto não é um post como os que costumo fazer, mas sim alguns factos sobre o meu ano de 2016 que para uns serão um aborrecimento sem fim de ler (sorry!) para outros talvez a oportunidade de fazer chegar um bocadinho deste sentir que cá vai dentro.
Um sentir bom.
As minhas partilhas fazem confusão a muita gente, mas eu acho que é quando partilhamos que nos ajudamos verdadeiramente uns aos outros. E eu não tenho nada a esconder.
2016 é um ano sinistro para mim, mas quando acho que não pode atrever-se a mais… eis alguns factos que não poderia deixar de notar:
-Em Janeiro de 2016, Ainda na minha odisseia em Lisboa, fui convidada para fazer parte da equipa principal da tal startup que já estão fartos de ouvir falar, Owlascend, com base em Los Angeles
-Em setembro de 2016, la vou eu para os ditos States a pensar que é para ficar por uns tempos, será desta estabilidade? Será desta?trolololololol, respondeu ela.
-Vamos a uma porção de eventos e pitchings e somos aconselhados a continuar o projecto mas que em troca de financiamento deveríamos fazer alterações de Branding . Ok tudo certo até ai, sempre defendi que era preciso mudar a comunicação do projecto.
– O fundador do projecto numa reunião intensiva de brainstorming lança o nome Umazed, a explicação fez todo sentido a toda a equipa e qualquer pessoa consegue perceber a ideia de nós próprios sermos um labirinto, de estarmos constantemente perdidos naquilo que somos no final das contas e no que queremos, afinal,tirar disto tudo. Juntou-se ainda o contributo, soube mais tarde, da palavra que mais repito em Inglês ser ”amazing”, assim como em português é a palavra ”incrível”, motivo de gozo óbvio, mas que eu juro que tento controlar mas pronto, não deu ainda. Eis que de tanto amazing amazing, amazed, Umazed lá veio à luz.
-No processo empresarial uma das pessoas que conquistámos para a nossa equipa de liderança começou a tratar-me por AI, iniciais do meu nome, mas também da tecnologia da nossa aplicação, chegando o pedido lá de cima que num futuro próximo eu fosse considerando essa forma de me apresentar no projecto como hipótese. Ri-me, mas porque não?
– Voltei de Los Angeles para onde é suposto regressar no final desta maré de burocracias e mundos que não compreendo ainda muito bem e eis que dou por mim a começar de novo, ainda que não seja do zero.
-Resende. Passados tantos anos desde que sai de casa. Não ia dar para muito tempo.
-Alugo uma casa na baixa do Porto como sempre quis, trabalho em dois restaurantes em todos os turnos possíveis até conseguir um horário diurno, enquanto trabalhava para os USA e para uma empresa de transcrição de entrevistas.
-Apaixono-me como já não acontecia há muito muito tempo, a história como todas começa lindamente e chega rapidamente a hora de ter um fim. De alguma forma a nossa geração assume que de um dia para o outro podemos passar de ”O mundo” a um ‘estranho’ como quem pisca os olhos. Mas eu ainda não me habituei muito bem a isso, fica para 2017.
-Estou outra vez sozinha, como há alguns anos aprendi a adorar estar, e dou por mim exausta e sem dinheiro para manter a tão desejada independência dos meus pais que quero assumir de nariz empinado.Dou por mim a dispensar do meu canto só meu, e a dormir numa espécie de despensa, à qual quero muito chamar escritório, para ajudar a ter dinheiro para as despesas, enquanto pessoas lindas e felizes dormem no meu quarto fofo.
-Despeço-me ao final de dois meses de trabalho no restaurante e eis uma nova jornada de currículos e cursos online, enquanto não faço ideia do que ando para aqui a fazer.
-Hoje, depois de seis horas no hospital com uma crise de coluna absurda, que mais cedo ou mais tarde há de ser operada em condições, a dois dias de acabar o ano acabo a última das duas séries que vi nestas últimas semanas: OA e Westworld.
Westworld que se centra na busca incessante de respostas a um “maze”, labirinto, de consciência e humanidade. OA uma série com uma cinematografia linda mas com um argumento um bocado nhe. A miúda assume uma consciência diferente do normal e passa a auto apresentar-se como OA. ( ambas descrições fracas mas evitando spoilers)
– Sendo que ambas as séries tiveram os seus primeiros episódios lançados depois da minha estadia em LA só posso ver tudo isto com um grande sorriso na cara, com as coincidências e piadas desta aleatoriedade que só a nossa existência nos permite desfrutar.
-Tal como nas duas séries, o meu ano foi de uma confusão absurda, lições em forma de peças de puzzle incompleto, revelando-se no fim uma verdadeira oportunidade de auto conhecimento e amor próprio.
Este 2016 foi uma montanha russa.
Nas montanhas russas o subir é descansado, excitante e doloroso, toda gente sente aquele frio na barriga porque ainda não caiu, mas sabe sempre que é uma hipótese quase certa algures. Já o descer é fodido, é cheio de adrenalina, é querer sobreviver e agarrar com a força toda o cinto de segurança. É gritar, rir, chorar por socorro e ninguém nos sentir, porque apesar de ouvirem e perceberem,também estão todos a meio das suas jornadas.
Mas aí vem o momento em que percebemos o verdadeiro prazer escondido de uma montanha russa: O prazer de levantar os braços, cagar na segurança, porque na verdade pouco há a perder, e aproveitar ao máximo a descida, com todas as emoções e ensinamentos que ela nos proporciona.
Servi no restaurante muitos dos meus colegas de faculdade que me orgulhei de ver saírem bem vestidos dos seus empregos para almoçarem no mesmo espaço em que eu trabalhava, servi imensos casais apaixonados a desfrutarem das suas empáticas conversas cheios de alegria e amor, assim como limpei as sanitas onde foram dispensar o almoço acabado de pagar, e nunca na minha cabeça me passou a ideia de os invejar ou de desdenhar do valor dos seus percursos. A essência de sermos humanos é o amor e é isso que nos mantém vivos, não há porque não nos permitirmos amar os que nos rodeiam, mesmo que não os conheçamos.
Normalmente, já devíamos saber, depois de uma grande descida há de aparecer outra subida e, se não aparecer, que se lixe amigos, isto um dia acaba tudo, que acabe de braços no ar e a sensação de consciência tranquila.
Sejam muito felizes, hei de ficar sempre feliz por vocês.
Um corajoso e arejado 2017 a todos ❤️
Amem-se muito, a vocês e entre vocês.