Irmã mais nova que é mais velha

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Quando me perguntam se a minha irmã é mais nova, eu respondo que sim acrescentando a informação que apesar disso, é ela a mais velha. Algumas pessoas ficam com um ar estranho e não percebem muito bem como é que uma irmã que nasceu depois da outra pode, afinal, ceder dos seus direitos de inconsciência e leviandade.
Mas a natureza é engraçada e apesar de ela ser o único ser humano feito do mesmo que eu, apesar de termos sido criadas com exatamente a mesma educação, a mesma quantidade de mimos e o mesmo tipo de oportunidades, o resultado são duas personalidades absolutamente diferentes, mas absurdamente complementares.


Eu sou das letras e ela é dos números, eu sou a pé rapado, ela é a multiplicadora de poupanças, ela é o planeamento, a estabilidade a coerência, é prudente, inteligente e sabe defender-se. A ela e a mim. Eu olho para ela e vejo uma segunda mãe com mistura de pai, mas há uma força feminina, um espírito de irmandade, que até hoje só com mulheres fortes e fascinantes fui capaz de sentir. Quando estamos as três, é esse estado pleno, mas sempre. Elas fazem o mesmo tipo de olhar antes de me verem esmurrar contra uma parede, sabem precisamente quando estou a precisar de um telefonema e parece que pressentem todos os meus delírios. O tom de voz não precisa ser elevado porque o peso das palavras sabiamente escolhidas é que vão causar estragos.


É claro que esta minha desvairice e forma de dançar com a vida as preocupa, mas sei que me amam por ser assim também.
A questão aqui é que eu sou apenas uma miúda cheia de sorte, porque se a aleatoriedade não me tivesse feito cair no seio de uma família assim, eu estaria longe de me atrever a ser como sou, para o bem e para o mal.


Isto é só um devaneio mimalho, mas o que eu queria mesmo partilhar com o mundo, é que não sei quantas irmãs mais velhas se dão ao luxo de fazer a mochila e fugir para o colo da irmã mais nova quando lhes partem o coração ou apanham uma valente gripe.
Sei é que eu sou uma delas neste preciso momento, deitada no sofá da casa dela, embrulhada em mantas e cobertores, enquanto ela me faz festinhas e me conta a vida dela. E eu sorrio aqui por dentro, porque gosto de analisar e pensar em tudo ao mesmo tempo e dou por mim a chegar sempre à mesma conclusão:
Se isto não é Natal, então não sei o que é.

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