Caiu uma grua na minha rua

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Ontem caiu uma grua na minha rua. Já passei várias vezes por ela, desde que cá vivo. Nunca gostei de gruas, estão muito lá em cima, carregam coisas pesadas, parecem presas por um fio, as gruas dão-me arrepios. O senhor que a manobrava, conhecido por Inglês, parece que teve de ir para uma outra vida, em que talvez tenha sorte de escolher outro ofício. As pessoas que estavam no prédio em que a grua caiu, apanharam um valente susto. “O prédio tremeu todo” disse um senhor que lá trabalhava.


Desde ontem que isto tudo não me sai da cabeça. As vezes que eu olhei para aquela grua, aqui mesmo na minha rua, pobre grua que lá acabou por ceder ao peso que a faziam carregar. Não caias, não caias, pensei eu tantas vezes ao olhar para ela, enquanto de passo apressado e mãos carregadas descia esta rua. E o pobre Inglês, que a ajudava, foi com ela. Foram os dois.


E eu nunca gostei de gruas, muito menos nas minhas ruas, são daquelas manias, também não passo debaixo de andaimes, sabe-se lá se aquilo se aguenta.
Quantas vezes não estamos sobrecarregados, sentimos os braços cansados, mas não podemos vergar. Mas lá lhe chegou o dia. “Não aguento mais” deve ter pensado. Não a ouvimos queixar, só cedeu. E o Inglês, pobre coitado, não era de cá, era emigrado, ficou preso lá em cima, a vê-la cair. Pobre grua, pobre rua. Pobre Inglês. Nunca vou gostar de gruas.

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